
A revelação começou com as aparições do Antigo Testamento. A Encarnação de Jesus aconteceu com a aparição do Arcanjo Gabriel a Nossa Senhora. Jesus ressuscitado apareceu aos apóstolos e às santas mulheres. São Pedro, depois da ascensão de Jesus, viu aparições de anjos. São Paulo também. E houve outras aparições no tempo apostólico. Depois, aos poucos, silencia-se sobre o assunto. Somente no século III se fala novamente em aparições com a aparição de Nossa Senhora a São Gregório, o Taumaturgo (231). No primeiro milênio foram poucas as aparições de Nossa Senhora e quando aconteceram, quase sempre, foram para pessoas que tinham dificuldades e que sofriam.
Na Europa existem muitos santuários que surgiram no lugar onde Nossa Senhora apareceu. Quando o povo chagava à certeza sobre a aparição, unia-se com as autoridades locais e construía o santuário.
Não havia normas oficiais por parte das autoridades da Igreja para o reconhecimento das aparições. O povo, com sua participação, era quem levava as autoridades a autenticar as aparições; por isso, na Idade Média, aquele que falasse em aparições ou visões era excomungado. Santo Joana D’Arc foi condenada à fogueira pelo tribunal presidido pelo bispo Cauchon, tendo sido considerada herética, pois afirmava ter visões e ouvir vozes. Mais tarde, a mesma Igreja revogou a sentença e canonizou Joana. Hoje é, pois, invocada como santa.
Atualmente parece haver mais abertura às inspirações do Espírito Santo. Mas, durante meio século, apesar de haver várias aparições, nenhuma foi reconhecida desde as de Beauraing (1932) e de Banneux (1933), acontecidas na Bélgica, até 21/11/87, quando foram reconhecidas as de Finca Betânia (Venezuela).
O cânone 1.399, § 5º do Direito Canônico de 1917, não permitia que se escrevesse sobre aparições. Paulo VI, em 1970, aboliu este cânone, que “proibia os livros e folhetos que falassem de novas aparições, revelações, visões, profecias e milagres”. O Presidente do Santo Ofício (depois Congregação da Doutrina da Fé), o Cardeal Ottaviani, foi sempre um adversário das aparições. Ele se intitulava o “cavaleiro da tradição”. Seu modo de pensar não animava os bispos a reconhecerem aparições. Por isso, desde a Segunda Guerra Mundial até o Concílio Vaticano II, não foi reconhecida nenhuma aparição.
Com a saída do Cardeal Ottaviani houve mudanças. Seu sucessor, o Cardeal Seper, no início, conservou a mesma orientação. Mas, em 26 de fevereiro de 1978, indo ao encontro do desejo de Paulo VI, como presidente da Congregação da Doutrina da Fé, indicou os critérios a seguir diante de uma suposta aparição. São os seguintes:
Nos Estados Unidos, aconteceu a mesma coisa, com as aparições de Necedah, onde depois surgiu um cisma. Por isso, os critérios que a Igreja apresenta para avaliar são necessários. Mas, sem fechar a porta com conclusão “a priori”, como se Deus ou Nossa Senhora não pudessem mais se manifestar hoje. Não podemos limitar a ação de Deus. As aparições não são dogmas. Se alguém as nega, não comete pecado, porque elas merecem apenas uma fé humana. A verdade contida na revelação pública (Bíblia) deve ser aceita por todo o cristão para poder se salvar. Ninguém, no entanto, é obrigado a aceitar mensagens de aparições privadas porque estas não são indispensáveis para a própria salvação. Existe a obrigação de se crer o que ensina Deus na Sagrada Escritura. Mas, se Deus manda a Virgem Maria com novo Comando, é necessário estarmos abertos e examinar o que ela deseja. Se Deus manda sua Mãe para fazer um apelo à humanidade, não é para brincar. Com Deus não se brinca, dizia Léon Bloy. E nem se brinca com os apelos de Nossa Senhora, uma vez que vem chamar a humanidade à conversão. Tudo o que Nossa Senhora anuncia já está no Evangelho. Os homens esqueceram-se de segui-lo. Por isso, existe o apelo de Nossa Senhora para que se convertam.
Para os que dizem que Nossa Senhora, quando esteve aqui na terra, falou tão pouco e que agora está falando demais, respondemos que ela falou pouco porque deixava seu filho Jesus falar e dar testemunho do Pai. Atualmente, creio que nós, os batizados, não estamos cumprindo plenamente a missão para a qual Jesus nos enviou, que é de continuar sua obra. Por isso, Maria vem para suprir nossa omissão. Ela vem para nos chamar a atenção, porque não estamos mais anunciando o Evangelho com o entusiasmo de Jesus Cristo e dos apóstolos e não estamos vivendo o que Jesus ensinou. Por isso, os NOVOS COMANDOS para voltarmos a Deus, através da conversão, da oração, do jejum, do amor fraterno. Quando os filhos estão indo por um caminho perigoso, de perdição, qual é a mãe que, se realmente ama seus filhos, fica em silêncio? Será que se torna ridícula a atitude de uma mãe que fala muito, e continuamente, a seus filhos quando verifica que estão andando por caminhos que os leva à perdição? Se eles não acatam seu apelo, a mãe não insiste para ver se salva os filhos? Não é isto uma demonstração de amor para com seus filhos? A experiência nos diz que uma mãe fala muito mais com um filho que anda por caminhos perigosos para alertá-lo, chamando-lhe a atenção, do que para com os filhos bem comportados, que seguem sempre a vontade dos pais. É claro que existem muitos videntes falsos. Por isso, é necessária séria pesquisa antes de aceitar suas mensagens.
O Pe. Amorth diz: “Nos séculos passados, quando havia aparições marianas ou fatos milagrosos, não havia necessidade de nenhum reconhecimento oficial. O povo era que, com seu culto, dava valor àqueles fatos e a Igreja dava seu aval com sua presença na celebração do culto e dos sacramentos. Assim aconteceu em Monte Bérico, vicenza; Caravaggio, Bérgamo; Divino amor, Roma; e em muitos outros santuários onde se dizia que Nossa Senhora havia aparecido. Assim acontece em Medjugorje, onde ninguém pôs em dúvida a plena conformidade das mensagens à verdade da fé. Por isso, não é necessário mais nada”.
Atualmente, muitos bispos souberam portar-se com prudência, com relação às aparições, e souberam ver o sinal de Deus nas manifestações ocorridas. Isto aconteceu na Cecília em 1953, diante das lágrimas de Nossa Senhora, quando houve uma aprovação unânime dos bispos da região; nas aparições de Salete em 1848, com o bispo Zumarraga; nas aparições de Zeitoum, no Cairo, em 1968, onde houve confirmação encumênica. Em Akita, Japão, 1973, quando o bispo descartou as alegações de alguns “especialistas”, que diziam que as lágrimas vertidas pela estátua de Nossa Senhora era um fenômeno paranormal.
Silvia Cristina
QUE DEUS TE ABENÇOE!

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate; sede nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós, príncipe da milícia celeste, pela virtude divina, precipitai no inferno a satanás e a todos os espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém.